{"id":5094,"date":"2022-11-11T21:41:14","date_gmt":"2022-11-11T21:41:14","guid":{"rendered":"https:\/\/teo.com.br\/?p=5094"},"modified":"2022-11-11T21:41:14","modified_gmt":"2022-11-11T21:41:14","slug":"a-topica-de-theodor-viehweg-importancia-da-argumentacao-no-direito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teo.com.br\/noticias\/2022\/11\/11\/a-topica-de-theodor-viehweg-importancia-da-argumentacao-no-direito\/","title":{"rendered":"A T\u00f3pica de Theodor Viehweg, import\u00e2ncia da argumenta\u00e7\u00e3o no direito"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"titTopico\">A T\u00f3pica de Theodor Viehweg<\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dever\u00e1 ressaltar a import\u00e2ncia da argumenta\u00e7\u00e3o no direito, encontrando a racionalidade nos padr\u00f5es de argumenta\u00e7\u00e3o, que diminuem a arbitrariedade nas decis\u00f5es judiciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><u>A\u00a0T\u00f3pica de Theodor Viehweg Theodor Viehweg<\/u>\u00a0(1907-1988)<\/strong>\u00a0<strong>nasceu na Alemanha, foi juiz e tamb\u00e9m fil\u00f3sofo do direito.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1953, publicou sua principal obra, \u201cT\u00f3pica e Jurisprud\u00eancia\u201d, traduzida para o portugu\u00eas por Tercio Sampaio Ferraz Jr., que foi orientando de Viehweg, na Universidade de Mainz, na Alemanha.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>O nome do Tercio n\u00e3o leva acento!!!!!<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Viehweg caracteriza a t\u00f3pica de diversas maneiras:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>a)<\/strong>&nbsp;como uma t\u00e9cnica do pensamento problem\u00e1tico;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>b)<\/strong>&nbsp;pela no\u00e7\u00e3o de \u201ctopos\u201d ou lugar comum;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">c) como busca pelas premissas (no pensamento problem\u00e1tico, as premissas ganham maior import\u00e2ncia que as conclus\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os \u201ctopoi\u201d (plural de \u201ctopos\u201d) s\u00e3o premissas que, em raz\u00e3o da sua plausibilidade, s\u00e3o aceitas e compartilhadas pelas pessoas. Perelman tamb\u00e9m se refere aos \u201ctopoi\u201d, mas os entende num sentido mais restrito que Viehweg. Para o primeiro, \u201ctopos\u201d \u00e9 um esquema de argumento; para Viehweg, \u201ctopos\u201d \u00e9 tamb\u00e9m o pr\u00f3prio argumento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exemplos de \u201ctopoi\u201d:-<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Ningu\u00e9m pode se beneficiar da pr\u00f3pria torpeza<\/strong>;-&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Norma especial revoga norma geral;-<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Quem pode o mais, pode o menos;-<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>N\u00e3o se pode transferir a outrem mais do que se tem;-<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Os contratantes devem respeitar a boa-f\u00e9; etc.<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como s\u00e3o aceitos pelas pessoas, aqueles que invocarem os \u201ctopoi\u201d n\u00e3o precisam apresentar raz\u00f5es para justificar o seu emprego argumentativo; o que n\u00e3o ocorre com aqueles que se dispuserem a contest\u00e1-los, que t\u00eam o \u00f4nus de provar que determinado \u201ctopos\u201d deve ser afastado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Viehweg entende a t\u00f3pica como uma t\u00e9cnica do pensamento problem\u00e1tico. Para ele, problema significa uma quest\u00e3o que admita mais de uma resposta. No direito, o problema aponta para a aporia fundamental do justo \u201caqui e agora\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para se compreender o sentido de problema, Viehweg estabelece a distin\u00e7\u00e3o entre:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>a)<\/strong>&nbsp;o pensamento sistem\u00e1tico: sistematiza aquilo que j\u00e1 est\u00e1 dado, decidido ou j\u00e1 se encontra positivado; e<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>b)<\/strong>&nbsp;o pensamento problem\u00e1tico: a partir dos \u201ctopoi\u201d, procura solu\u00e7\u00e3o que ainda n\u00e3o se encontra dada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pensamento problem\u00e1tico enfatiza que uma determinada situa\u00e7\u00e3o concreta apresenta v\u00e1rias solu\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, o que significa dizer que o juiz ter\u00e1 de escolher uma delas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 o pensamento sistem\u00e1tico parte de um sistema, que fornece a solu\u00e7\u00e3o para todo e qualquer problema apresentado \u2013 surgindo um problema que n\u00e3o esteja dentro da rela\u00e7\u00e3o de problemas selecionados pelo sistema, esse problema novo deve ser ignorado como pseudo-problema, uma vez que s\u00e3o as pr\u00f3prias normas do sistema que determinam quais s\u00e3o os problemas relevantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como as normas do direito brasileiro, ao disciplinar a uni\u00e3o est\u00e1vel, determinam que \u00e9 a uni\u00e3o entre um homem e uma mulher, do ponto de vista do pensamento sistem\u00e1tico, a uni\u00e3o est\u00e1vel homoafetiva seria um pseudo-problema, ou melhor, n\u00e3o se configura como problema para o direito. Ora, como se sabe, o Supremo Tribunal Federal reconheceu recentemente a uni\u00e3o est\u00e1vel homoafetiva, entendendo que se estava diante de um problema jur\u00eddico e encontrou a solu\u00e7\u00e3o jur\u00eddica para ele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 importante dizer que Viehweg n\u00e3o se opunha ao pensamento sistem\u00e1tico, mas, antes, procurava acentuar a primazia do pensamento problem\u00e1tico para o direito. Segundo ele, o direito sempre se orientou pela t\u00f3pica, desde o direito romano at\u00e9 a \u00e9poca moderna: a partir de um problema dado, procurava encontrar argumentos que encaminhassem a sua solu\u00e7\u00e3o. A partir da \u00e9poca moderna (s\u00e9culo XVII), implementou-se o modelo axiom\u00e1tico-dedudtivo (sistema dedutivo): a partir de certas premissas, deduzem-se todas as demais normas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar dessa tentativa de impor o modelo axiom\u00e1tico-dedudtivo, o direito jamais deixou de ser t\u00f3pico na sua aplica\u00e7\u00e3o, uma vez que:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>a)<\/strong>&nbsp;as normas e os fatos precisam ser interpretados;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>b)<\/strong>&nbsp;o direito \u2013 pelo menos o direito moderno \u2013 pro\u00edbe o \u201c<strong>non liquet<\/strong>\u201d;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>c)<\/strong>&nbsp;existem casos n\u00e3o previstos pelo legislador (lacunas);<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>d)<\/strong>&nbsp;a solu\u00e7\u00e3o prevista por uma norma n\u00e3o se revela a justa medida para o caso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tome-se, como exemplo de \u201ctopos\u201d, a cl\u00e1usula geral da boa-f\u00e9 (C\u00f3digo Civil, art. 422: \u201cos contratantes s\u00e3o obrigados a guardar, assim na conclus\u00e3o do contrato, como em sua consecu\u00e7\u00e3o, os princ\u00edpios de probidade e boa-f\u00e9\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tem-se uma id\u00e9ia geral do que seja a boa-f\u00e9. Dado um caso concreto, no entanto, o que significa agir de boa-f\u00e9? Nesse caso concreto, o dever de agir com boa-f\u00e9 pode levar a que se limite o exerc\u00edcio de um direito subjetivo da outra parte? E, se em lugar de limitar, ele se satisfizer em ampliar o escopo dos deveres j\u00e1 estabelecidos contratualmente? H\u00e1 possibilidade de se afastar por completo a autonomia da vontade das partes, em face do dever de agir com boa-f\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o artigo 766 do C\u00f3digo Civil, \u201cse o segurado, por si ou por seu representante, fizer declara\u00e7\u00f5es inexatas ou omitir circunst\u00e2ncias que possam influir na aceita\u00e7\u00e3o da proposta ou na taxa do pr\u00eamio, perder\u00e1 o direito \u00e0 garantia, al\u00e9m de ficar obrigado ao pr\u00eamio vencido\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Carlos contratou seguro do autom\u00f3vel e, ao preencher o seu perfil, declarou \u00e0 seguradora que n\u00e3o utilizava o ve\u00edculo no per\u00edodo noturno para freq\u00fcentar nenhum curso, para se dirigir \u00e0 faculdade, por exemplo. O carro foi furtado e a seguradora descobriu que o furto aconteceu nas imedia\u00e7\u00f5es da faculdade cursada por Carlos \u00e0 noite. Ela se negou a indenizar Carlos, invocando o artigo 766 do C\u00f3digo Civil. Partindo-se do sistema, a solu\u00e7\u00e3o pode ser facilmente encontrada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se, contudo, de uma solu\u00e7\u00e3o inaceit\u00e1vel, porque se violou a boa-f\u00e9 objetiva. Ao se partir do problema, uma s\u00e9rie de questionamentos se apresenta. \u00c9 preciso esclarecer que n\u00e3o se trata da boa-f\u00e9 subjetiva (ou seja, n\u00e3o se trata de verificar a inten\u00e7\u00e3o de Carlos ao omitir da seguradora a informa\u00e7\u00e3o de que usaria o ve\u00edculo para se dirigir \u00e0 faculdade \u00e0 noite), mas da objetiva. Se \u00e9 assim, deve-se, agora, perguntar: se Carlos tivesse informado a seguradora de que ele usaria o carro para freq\u00fcentar a faculdade, a seguradora teria recusado o risco?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pela an\u00e1lise da maneira objetiva de contrata\u00e7\u00e3o do seguro em S\u00e3o Paulo, onde ocorreu a sua contrata\u00e7\u00e3o, pode-se dizer que n\u00e3o, pois a seguradora se limitaria a aumentar o valor do pr\u00eamio a ser pago pelo segurado (para simplificar, ela cobraria 10% a mais, em virtude de o risco ser tamb\u00e9m maior). Primeira conclus\u00e3o: se essa falta de informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria capaz de impedir a contrata\u00e7\u00e3o do seguro, a falta dessa informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser invocada como raz\u00e3o para que a segurador deixe de indenizar o segurado! Segunda conclus\u00e3o: se essa falta de informa\u00e7\u00e3o fez com que a seguradora cobrasse 10% a menos pela contrata\u00e7\u00e3o do seguro, ela pode descontar esses 10% no momento da indeniza\u00e7\u00e3o (se o valor da indeniza\u00e7\u00e3o for R$ 60.000,00, ela pode descontar os 10% e indenizar apenas R$ 54.000,00).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como se pode perceber, utilizou-se o pensamento problem\u00e1tico, e, por meio de um \u201ctopos\u201d, a boa-f\u00e9 objetiva, n\u00e3o apenas foram interpretadas algumas normas jur\u00eddicas, como tamb\u00e9m se encontrou uma solu\u00e7\u00e3o mais adequada para o caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se o direito se encontra no campo do razo\u00e1vel, cabe \u00e0 t\u00f3pica encontrar caminho para que a decis\u00e3o seja justa. N\u00e3o se trata de caminho arbitr\u00e1rio, uma vez que a raz\u00e3o caber\u00e1 a quem recorrer aos \u201ctopoi\u201d mais aceitos pela comunidade jur\u00eddica, articulando-os de maneira mais coerente e persuasiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pode-se ver como a argumenta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica restringe a arbitrariedade: h\u00e1 liberdade na atividade de argumentar, o que n\u00e3o significa arbitrariedade, porque ela \u00e9 articulada pelos \u201ctopoi\u201d ao redor dos problemas \u2013 a atividade da ci\u00eancia do direito \u00e9 concebida e compreendida a partir do problema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso tratado pelo ac\u00f3rd\u00e3o abaixo, a defesa do r\u00e9u questiona a validade da per\u00edcia realizada nos objetos apreendidos, j\u00e1 que n\u00e3o foi realizada em todos os bens apreendidos, como o C\u00f3digo de Processo Penal determina em seu art. 530-D: \u201csubseq\u00fcente \u00e0 apreens\u00e3o, ser\u00e1 realizada, por perito oficial, ou, na falta deste, por pessoa tecnicamente habilitada, per\u00edcia sobre todos os bens apreendidos e elaborado o laudo que dever\u00e1 integrar o inqu\u00e9rito policial ou o processo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por meio de um racioc\u00ednio t\u00f3pico, esse argumento \u00e9 recusado: \u201centendo ser plenamente admiss\u00edvel, no caso concreto, a prova pericial que recaia sobre bens analisados por amostragem, a despeito da reda\u00e7\u00e3o do art. 530-D do CPP. \u00c9 que a simples interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 mais admitida. Deve o magistrado aplicar o direito a partir do caso concreto, conjugando ao pensamento sistem\u00e1tico tamb\u00e9m o&nbsp;<strong>pensamento problem\u00e1tico<\/strong>. \u00c9 dizer: o Direito deve ser compreendido como sistema aberto \u00e0s&nbsp;<strong>particularidades do caso concreto<\/strong>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>EMENTA: EMBARGOS INFRINGENTES \u2013 DIREITO AUTORAL &#8211; RESGATE DO VOTO MINORIT\u00c1RIO QUE MANTEVE A DECIS\u00c3O ABSOLUT\u00d3RIA PROFERIDA NA INST\u00c2NCIA PRIMEVA POR AUS\u00caNCIA DE MATERIALIDADE DO DELITO &#8211; INVIABILIDADE &#8211; MATERIALIDADE DEVIDAMENTE DEMONSTRADA NOS AUTOS &#8211; EMBARGOS REJEITADOS.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O simples exame pericial por amostragem, que seja criterioso em avaliar aspectos externos aos objetos alvo de contrafa\u00e7\u00e3o, tais como c\u00f3digo de barras, nome do fabricante, selo hologr\u00e1fico e qualidade de impress\u00e3o gr\u00e1fica, \u00e9 suficiente para atestar a materialidade do delito insculpido no art. 184, 2\u00ba, do C\u00f3digo Penal, inclusive se considerar o fato de que a a\u00e7\u00e3o penal, nos casos de cometimento do crime em testilha, \u00e9 p\u00fablica incondicionada, o que afasta a necessidade de constata\u00e7\u00e3o, prima facie, de qualquer uma das poss\u00edveis v\u00edtimas da viola\u00e7\u00e3o ao seu direito autoral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Feitas essas ressalvas, destaco que o objeto de diverg\u00eancia no presente caso se cinge \u00e0 discuss\u00e3o da aus\u00eancia ou n\u00e3o da materialidade delitiva, haja vista que a per\u00edcia realizada nos CD&#8217;s e DVD&#8217;s apreendidos foi feita por amostragem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O eminente Desembargador Walter Luiz de Melo em seu voto sustenta que &#8220;o laudo de fls. 33\/35 n\u00e3o obstante determinar os direitos autorais violados pelos produtos falsificados, o fez por amostragem, impossibilitando a consuma\u00e7\u00e3o da conduta \u00e0quela tipificada no art. 184, 2\u00ba do CP&#8221;. Afirma, ainda, que as provas dos autos &#8220;n\u00e3o apresentam elementos capazes de indicar quais pessoas f\u00edsicas ou jur\u00eddicas tiveram direitos autorais e conexos eventualmente violados pela pr\u00e1tica do apelado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Primeiramente destaco que venho me posicionando no sentido de que a exig\u00eancia de descri\u00e7\u00e3o de todos os titulares dos direitos violados (direitos do autor e conexos) n\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel, pois o que importa n\u00e3o \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o de todos os t\u00edtulos e de seus autores, mas sim o fato de os CD&#8217;s e DVD&#8217;s apreendidos serem inaut\u00eanticos, o que restou devidamente comprovado pelo laudo pericial de fls. 33\/35.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outrossim, entendo ser plenamente admiss\u00edvel, no caso concreto, a prova pericial que recaia sobre bens analisados por amostragem, a despeito da reda\u00e7\u00e3o do art. 530-D do CPP. \u00c9 que a simples interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 mais admitida. Deve o magistrado aplicar o direito a partir do caso concreto, conjugando ao pensamento sistem\u00e1tico tamb\u00e9m o pensamento problem\u00e1tico. \u00c9 dizer: o Direito deve ser compreendido como sistema aberto \u00e0s particularidades do caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse diapas\u00e3o, h\u00e1 que se reconhecer a legalidade da per\u00edcia de fls. 33\/35.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ora, o fato de os peritos, por raz\u00f5es de ordem t\u00e9cnica, ter optado por escolher, aleatoriamente, alguns exemplares dos CD&#8217;s e DVD&#8217;s apreendidos para proceder a compara\u00e7\u00e3o com o material aut\u00eantico, de modo algum altera o valor probante da prova t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste ponto, nem se diga que a per\u00edcia se ateve aos aspectos externos do material apreendido, pois os signat\u00e1rios, conforme esclarecem, submeteram as pe\u00e7as motivo e padr\u00e3o a sucessivas an\u00e1lises comparativas, embora tenham priorizado a an\u00e1lise das caracter\u00edsticas de fabrica\u00e7\u00e3o relativas ao c\u00f3digo de barra, n\u00famero de cat\u00e1logo, nome do fabricante, impress\u00e3o da capa ilustrativa, selo hologr\u00e1fico, etc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com efeito, o exegeta n\u00e3o pode se apegar \u00e0 literalidade do texto legal. Imp\u00f5e-se que utilize como filtro hermen\u00eautico a Constitui\u00e7\u00e3o e os princ\u00edpios gerais do direito. Sendo assim, n\u00e3o lhe \u00e9 facultado olvidar-se da exeq\u00fcibilidade da norma. Deve ele, diante das dificuldades do caso concreto, questionar-se acerca da pertin\u00eancia, adequa\u00e7\u00e3o e proporcionalidade do ato impugnado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ademais, entendimento diverso pode vir a ocasionar a inviabilidade da pr\u00f3pria realiza\u00e7\u00e3o da prova em procedimentos como o dos autos, em que foi apreendida consider\u00e1vel quantidade de material il\u00edcito. Ora, chega a ser jocoso pretender que peritos, n\u00e3o importa se oficiais ou &#8220;ad hoc&#8221;, atolados de servi\u00e7o como bem se sabe, analisem as milhares de m\u00eddias contrafeitas e que constituem objeto de prova em sabe-se l\u00e1 quantos inqu\u00e9ritos\/processos criminais no vasto territ\u00f3rio de Minas Gerais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De mais a mais, caso houvesse autoriza\u00e7\u00e3o dos titulares do direito para a reprodu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a defesa traria essa prova ao processo. Entendimento contr\u00e1rio, sempre com o devido respeito ao defensor, equivaleria a uma invers\u00e3o de valores: o titular do direito \u00e9 que teria que diligenciar e identificar a viola\u00e7\u00e3o, para possibilitar a sua indeniza\u00e7\u00e3o e a puni\u00e7\u00e3o do acusado. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, a meu sentir, de que apreendidas as m\u00eddias contrafeitas em poder do acusado &#8211; e provado que ele as expunha \u00e0 venda -, a este incumbe demonstrar a licitude de sua conduta, o que n\u00e3o foi feito at\u00e9 o momento.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VIEHWEG, Theodor.&nbsp;<strong>T\u00f3pica e Jurisprud\u00eancia<\/strong>. Bras\u00edlia: Editora Universidade de Bras\u00edlia, 1979.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio.&nbsp;<strong>Introdu\u00e7\u00e3o ao Estudo do Direito<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Atlas, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BITTAR, Eduardo C.B.; ALMEIDA, Guilherme de Assis.&nbsp;<strong>Curso de Filosofia do Direito<\/strong>. 4.ed. S\u00e3o Paulo: Editora Atlas, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PERELMAN, Cha\u00efm.&nbsp;<strong>L\u00f3gica jur\u00eddica<\/strong>:&nbsp;<strong>a nova ret\u00f3rica. Tradu\u00e7\u00e3o de Verg\u00ednia K. Pupi<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2000.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A T\u00f3pica de Theodor Viehweg Dever\u00e1 ressaltar a import\u00e2ncia da argumenta\u00e7\u00e3o no direito, encontrando a racionalidade nos padr\u00f5es de argumenta\u00e7\u00e3o, que diminuem a arbitrariedade nas decis\u00f5es judiciais. 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