{"id":5173,"date":"2022-11-13T12:17:41","date_gmt":"2022-11-13T12:17:41","guid":{"rendered":"https:\/\/teo.com.br\/?p=5173"},"modified":"2022-11-13T12:17:41","modified_gmt":"2022-11-13T12:17:41","slug":"constitucionalismo-na-idade-moderna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teo.com.br\/noticias\/2022\/11\/13\/constitucionalismo-na-idade-moderna\/","title":{"rendered":"Constitucionalismo na Idade Moderna"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Documentos do constitucionalismo<\/strong><br>A Bill of Rights, decorrente da Revolu\u00e7\u00e3o Gloriosa (1688 a 1689), estabeleceu uma declara\u00e7\u00e3o de direitos, bem como afirmou a supremacia do parlamento. A partir desse acontecimento, estabeleceu-se a Monarquia Constitucional na Inglaterra, com a abdica\u00e7\u00e3o do rei absolutista Jaime II e a nomea\u00e7\u00e3o de Guilherme III e Maria II, que passam a governar submetendo-se aos limites impostos pela Bill of Rights<br>(BARROSO, 2010).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Act of Settlement (Ato de Estabelecimento) tinha por objetivos mais importantes: a reafirma\u00e7\u00e3o da necessidade de os governantes submeterem-se \u00e0s leis, \u00e0 garantia da independ\u00eancia dos \u00f3rg\u00e3os jurisdicionais e \u00e0 previs\u00e3o da possibilidade de responsabilizar os agentes pol\u00edticos pelos seus atos.<br>Todos s\u00e3o considerados importantes documentos constitucionais escritos, visto que marcam uma transi\u00e7\u00e3o lenta e gradual das fontes de poder das m\u00e3os do monarca para tais documentos que, como j\u00e1 mencionado, estabeleciam uma s\u00e9rie de direitos individuais.<br><br><strong>Constitucionalismo na Idade Moderna<\/strong><br><br>Com o Iluminismo, o Constitucionalismo consolidou-se como movimento pol\u00edtico e filos\u00f3fico. Segundo Barroso (2010), caracteriza a revolu\u00e7\u00e3o intelectual que aconteceu na Europa no s\u00e9culo XVIII, em especial na Fran\u00e7a, representando o \u00e1pice das transforma\u00e7\u00f5es que tiveram in\u00edcio com o Renascimento, no s\u00e9culo XIV.<br>No Renascimento, com o antropocentrismo e o individualismo, houve incentivo \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, ocasionando a separa\u00e7\u00e3o gradativa entre o campo da religi\u00e3o e o da raz\u00e3o (ci\u00eancia). E isto gerou profundas transforma\u00e7\u00f5es na forma de pensar e de agir do ser humano.<br>A Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, que desempenhou um papel simb\u00f3lico arrebatador no final do s\u00e9culo XVIII, conferiu o sentido moderno ao termo \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d, que significa um novo curso, e dividiu a hist\u00f3ria em antes e depois dessa revolu\u00e7\u00e3o.<br>A Primeira Guerra Mundial gerou uma profunda mudan\u00e7a no movimento constitucionalista. N\u00e3o marcou o seu fim, vale ressaltar, mas modificou a maneira de entender-se o papel do Estado: a necessidade de sua interven\u00e7\u00e3o, ainda que m\u00ednima, nas rela\u00e7\u00f5es entre os indiv\u00edduos.<br>Observa-se, no P\u00f3s-Primeira Grande Guerra, a desvincula\u00e7\u00e3o do liberalismo do movimento constitucional. Os partidos socialistas e crist\u00e3os impuseram \u00e0s novas Constitui\u00e7\u00f5es uma preocupa\u00e7\u00e3o com os aspectos econ\u00f4mico e sociais, fazendo com que essas Cartas Pol\u00edticas inserissem direitos de cunho econ\u00f4mico e social em seus textos (CUNHA J\u00daNIOR, 2012).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/teo.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/justica.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5174\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><sub>J\u00e1 no Constitucionalismo moderno, a no\u00e7\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o envolve uma for\u00e7a capaz de limitar e vincular todos os \u00f3rg\u00e3os do poder pol\u00edtico. Por isso mesmo, a Constitui\u00e7\u00e3o \u00e9 concebida como um documento escrito e r\u00edgido, manifestando-se como uma norma suprema e fundamental, porque hierarquicamente superior a todas as outras, das quais constitui o fundamento de validade que s\u00f3 pode ser alterado por procedimentos especiais e solenes previstos em seu pr\u00f3prio texto. Como decorr\u00eancia<br>disso, institui um sistema de responsabiliza\u00e7\u00e3o jur\u00eddico-pol\u00edtica do poder que a desrespeitar, inclusive por meio do controle de constitucionalidade dos atos do Parlamento (CUNHA JUNIOR, 2012, p. 34).<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Constitucionalismo moderno deve ser entendido como um desejo por uma Constitui\u00e7\u00e3o escrita, que proporcionasse a separa\u00e7\u00e3o de Poderes e garantisse os direitos fundamentais, opondo-se, assim, ao poder absoluto, pr\u00f3prio dos Estados absolutistas.<br>Assevera Cunha J\u00fanior (2012) que a Constitui\u00e7\u00e3o, como texto escrito e fundamental de um Estado, representa uma aspira\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da liberdade ao ser elaborada para exercer a fun\u00e7\u00e3o de organizar e limitar o poder estatal, sendo essa alcan\u00e7ada por meio de uma declara\u00e7\u00e3o de direitos e garantias individuais.<br>Este Constitucionalismo no plano pol\u00edtico e econ\u00f4mico confunde-se com o liberalismo do s\u00e9culo XIX, que se consubstancia na livre concorr\u00eancia, da n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o do Estado, tendo por objetivo a expans\u00e3o do capitalismo. O liberalismo entende o Estado como um mal necess\u00e1rio e busca evitar eventuais abusos de<br>poder com a institui\u00e7\u00e3o da separa\u00e7\u00e3o de poderes idealizada por Montesquieu.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/teo.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5175\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A concep\u00e7\u00e3o liberal do Estado decorre da influ\u00eancia do individualismo filos\u00f3fico e pol\u00edtico do s\u00e9culo XVIII e da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, que considera como objetivo principal do Estado a prote\u00e7\u00e3o dos direitos individuais contra abusos de poder e do liberalismo econ\u00f4mico de Adam Smith, cuja concep\u00e7\u00e3o \u00e9 de que n\u00e3o caberia ao Estado o exerc\u00edcio de fun\u00e7\u00f5es de ordem econ\u00f4mica.<br>A independ\u00eancia das col\u00f4nias nas Am\u00e9ricas sofreu influ\u00eancia do movimento<br>constitucionalista. Imp\u00f4s-se a ado\u00e7\u00e3o de Constitui\u00e7\u00f5es escritas para que se<br>pudessem estabelecer regras para a exist\u00eancia de um Estado independentemente; n\u00e3o se deixou o Constitucionalismo no continente americano de identificar-se com<br>o que ocorria na Europa.<br>Portanto, a ideia de Constitui\u00e7\u00e3o escrita como instrumento de institucionaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o foi inventada por algum doutrinador imaginoso; \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o coletiva apoiada em precedentes hist\u00f3ricos e doutrin\u00e1rios (CUNHA J\u00daNIOR, 2012).<br>As Constitui\u00e7\u00f5es passam a conceber um novo modelo de Estado: social e intervencionista. Coube, ent\u00e3o, ao Estado adotar programas e pol\u00edticas a serem executadas por meio de presta\u00e7\u00f5es positivas oferecidas aos cidad\u00e3os. A hist\u00f3ria, portanto, testemunha a passagem do Estado liberal ao Estado social e,<br>consequentemente, a metamorfose da Constitui\u00e7\u00e3o, de Constitui\u00e7\u00e3o Garantia, Defensiva ou Liberal para Constitui\u00e7\u00e3o Social, Dirigente, Program\u00e1tica ou Constitutiva (CUNHA J\u00daNIOR, 2012).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Estado do Bem-Estar Social teve in\u00edcio com a revolucion\u00e1ria Constitui\u00e7\u00e3o mexicana de 1917. No Brasil, a Constitui\u00e7\u00e3o de 1934, sob a influ\u00eancia da Constitui\u00e7\u00e3o alem\u00e3 de Weimar de 1919, foi a primeira a delinear os contornos da atua\u00e7\u00e3o desse Estado intervencionista, do tipo social, dualista, na consecu\u00e7\u00e3o do<br>seu objetivo de promover o desenvolvimento econ\u00f4mico e o bem-estar social. E desde a Carta de 1934 at\u00e9 a atual, o regime constitucional brasileiro tem pautado-se por uma conjuga\u00e7\u00e3o de democracia liberal e social (CUNHA JUNIOR, 2012).<br>Ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, observaram-se novas transforma\u00e7\u00f5es no campo jur\u00eddico. Os abusos cometidos pelos nazistas levaram o mundo a buscar mecanismos para coibir pr\u00e1ticas que desrespeitassem a dignidade humana. Assim, conven\u00e7\u00f5es, tratados sobre direitos humanos foram estabelecidos. Reflete-se essa preocupa\u00e7\u00e3o com a efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos fundamentais nas constitui\u00e7\u00f5es no mundo P\u00f3s-Segunda Grande Guerra. A Constitui\u00e7\u00e3o Federal do Brasil de 1988 \u00e9 um<br>exemplo de Constitui\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, porque tem por base o respeito ao princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><strong>Neoconstitucionalismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>O Constitucionalismo democr\u00e1tico do s\u00e9culo XX \u00e9 uma ideologia vitoriosa ao derrotar projetos autorit\u00e1rios e abusivos. Esse Constitucionalismo significa Estado de Direito, poder limitado e respeito aos direitos fundamentais mediante a efetividade das normas constitucionais. O <strong>Neoconstitucionalismo <\/strong>gera uma nova forma de interpretar a norma constitucional, e o ativismo judicial \u00e9 uma consequ\u00eancia<br>desse movimento.<br>Entretanto, Barroso (2017) cita que in\u00fameras cr\u00edticas t\u00eam sido dirigidas a essa expans\u00e3o do papel do Judici\u00e1rio. A primeira delas \u00e9 de natureza pol\u00edtica: magistrados n\u00e3o s\u00e3o eleitos e, por essa raz\u00e3o, n\u00e3o deveriam poder sobrepor sua vontade \u00e0 dos agentes escolhidos pelo povo. A segunda \u00e9 uma cr\u00edtica ideol\u00f3gica: o Judici\u00e1rio seria um espa\u00e7o conservador, de preserva\u00e7\u00e3o das elites contra os<br>processos democr\u00e1ticos majorit\u00e1rios.<br>Uma terceira cr\u00edtica diz respeito \u00e0 capacidade institucional do Judici\u00e1rio, que seria preparado para decidir casos espec\u00edficos, n\u00e3o para avaliar o efeito sist\u00eamico de decis\u00f5es que repercutem sobre pol\u00edticas p\u00fablicas gerais. E, por fim, a judicializa\u00e7\u00e3o reduziria a possibilidade de participa\u00e7\u00e3o da sociedade como um todo, por excluir os indiv\u00edduos que n\u00e3o t\u00eam acesso aos tribunais (BARROSO, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ativismo judicial, apesar das cr\u00edticas contr\u00e1rias \u00e0 sua pr\u00e1tica, mostra-se um mecanismo inevit\u00e1vel \u00e0 solu\u00e7\u00e3o de casos levados a ju\u00edzo e que n\u00e3o t\u00eam uma norma espec\u00edfica disciplinando a quest\u00e3o. \u00c9 o que ocorreu em rela\u00e7\u00e3o ao reconhecimento das uni\u00f5es homoafetivas pelo STF. A complexidade, o pluralismo<br>e a din\u00e2mica da vida moderna impedem que o legislador possa prever todas as situa\u00e7\u00f5es sociais em lei.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/assets.jus.com.br\/system\/file\/822\/e86c90def1d5af299b00882a54360edb.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Reconhecimento das uni\u00f5es homoafetivas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, a doutrina brasileira da efetividade promoveu mudan\u00e7as de paradigma na teoria e pr\u00e1tica do Direito Constitucional do pa\u00eds. A ess\u00eancia da doutrina da efetividade \u00e9 tornar as normas constitucionais aplic\u00e1veis direta e imediatamente na extens\u00e3o m\u00e1xima de sua densidade normativa. Como consequ\u00eancia,<br>sempre que for violado um mandamento constitucional, a ordem jur\u00eddica deve prover mecanismos adequados de tutela \u2013 por meio da a\u00e7\u00e3o e da jurisdi\u00e7\u00e3o \u2013 disciplinando os rem\u00e9dios jur\u00eddicos pr\u00f3prios e a autua\u00e7\u00e3o efetiva de ju\u00edzes e tribunais (BARROSO, 2017).<br>No plano jur\u00eddico, segundo Barroso (2017, s.p.), esse movimento \u201c[\u2026] atribuiu normatividade plena \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o, que se tornou fonte de direitos e obriga\u00e7\u00f5es, independentemente da intermedia\u00e7\u00e3o do legislador\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documentos do constitucionalismoA Bill of Rights, decorrente da Revolu\u00e7\u00e3o Gloriosa (1688 a 1689), estabeleceu uma declara\u00e7\u00e3o de direitos, bem como afirmou a supremacia do parlamento. 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