O fechamento da UniSR/Uninove em São Roque vai muito além de uma disputa contratual. Estamos falando do futuro de centenas de estudantes.
Participei da reunião realizada em 22 de junho de 2026 com o Prefeito Guto Issa, o Secretário de Governo Ian Sampaio, representantes da Prefeitura, instituições de ensino e alunos da UniSR.
Após ouvir os esclarecimentos apresentados, fica evidente que existem versões distintas sobre os motivos que levaram à atual crise. De um lado, a Prefeitura afirma que a instituição deixou de formalizar negociações após o vencimento da concessão do prédio público e acumula aproximadamente 18 meses sem pagamento do aluguel. De outro, a instituição ainda não apresentou publicamente aos alunos uma explicação detalhada sobre sua situação financeira e sobre as razões que levaram ao anúncio de encerramento das atividades.
Mas existe um ponto que não pode ser ignorado: quem está pagando a conta dessa crise são os estudantes.
São alunos que investiram anos de suas vidas em um projeto acadêmico. Muitos estão nos últimos semestres, realizando estágios, preparando TCCs, conciliando trabalho, família e estudos. Outros assumiram financiamentos, fizeram sacrifícios financeiros e organizaram toda a sua rotina em torno da existência de uma faculdade em São Roque.
O fechamento de uma instituição de ensino superior não representa apenas a mudança de endereço de uma sala de aula. Representa:
📌 Aumento dos custos de deslocamento;
📌 Mais horas diárias dentro de ônibus e estradas;
📌 Risco de evasão acadêmica;
📌 Dificuldade para estudantes trabalhadores;
📌 Impactos financeiros para famílias inteiras;
📌 Insegurança quanto à continuidade da formação profissional.
Embora a Prefeitura tenha apresentado alternativas importantes — como apoio ao transporte, intermediação de transferências e a intenção de manter o ensino superior no município — essas medidas são paliativas diante do impacto causado pela possível saída da instituição.
A realidade é que São Roque corre o risco de perder um patrimônio que levou décadas para ser construído: o acesso local ao ensino superior.
Uma cidade que deseja crescer economicamente, atrair empresas e gerar oportunidades precisa investir na formação de sua população. A presença de cursos superiores não beneficia apenas os alunos. Beneficia o comércio local, gera empregos, movimenta a economia e contribui para o desenvolvimento social de toda a região.
Por isso, mais do que apontar culpados, este momento exige transparência, responsabilidade e diálogo.
Os estudantes merecem respostas claras.
Merecem saber se existe possibilidade real de manutenção da instituição no município.
Merecem conhecer os planos para a conclusão de seus cursos.
Merecem participar das decisões que impactarão diretamente seus futuros.
A reunião agendada para o próximo dia 24 será um momento decisivo. Esperamos que todas as partes envolvidas compareçam dispostas a construir soluções concretas.
Porque, no final, não estamos discutindo apenas um contrato ou um prédio público.
Estamos discutindo sonhos, carreiras, investimentos de uma vida inteira e o direito de centenas de estudantes concluírem sua formação com dignidade.
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Ata da reunião:
Relato da reunião com o Prefeito e equipe jurídica da Prefeitura Data: 22/06/2026 Fomos recebidos pelo Prefeito Guto Issa e por sua equipe, incluindo o Secretário de Governo, Ian Sampaio. Inicialmente, foi esclarecido que a UniSR é uma instituição privada que utiliza um prédio público mediante concessão. Segundo informado, em 2011 foi aprovada uma nova legislação municipal prevendo a celebração de Contrato de Concessão Onerosa, com prazo de 15 anos, prorrogável por mais 15 anos. O contrato estabelecia o pagamento de aluguel, inicialmente fixado em R$ 30.000,00, com reajuste anual pelo IPCA. Em contrapartida, a Prefeitura recebia a concessão de bolsas de estudo correspondentes a 6% do total de alunos matriculados. Em 2020, o valor do aluguel já se encontrava em aproximadamente R$ 51.000,00. Em razão da pandemia, foi concedida uma redução de 40% sobre esse valor, benefício que permaneceu vigente até o final de 2025, quando ocorreu o vencimento da concessão. De acordo com o departamento jurídico da Prefeitura, após o encerramento da concessão, a instituição não procurou o município para renegociar os termos do contrato, limitando-se a solicitar o boleto referente ao mês de janeiro de 2026. Diante do término da concessão, a Prefeitura informou ter seguido os procedimentos administrativos necessários, determinando a reavaliação do imóvel e encaminhando ofício à instituição. Também foi informado que a Prefeitura não recebe o aluguel do imóvel há aproximadamente 18 meses, período em que deixou de contar com essa receita. Segundo os representantes municipais, foram realizadas reuniões por videoconferência com Eduardo Stofolli e Blat, ocasião em que teriam sido apresentadas dificuldades financeiras da instituição e a alegação de que a operação em São Roque não era lucrativa. A Prefeitura relatou ainda que orientou a instituição a protocolar processo administrativo contendo justificativas, demonstrativos financeiros, balancetes e demais documentos que possibilitassem a análise de um eventual acordo. Foi mencionada, inclusive, a possibilidade de depósito judicial dos valores devidos, porém, segundo a administração municipal, não houve avanço nas tratativas. Salienta que em nenhum momento a prefeitura pediu a posse do imóvel, o que pode ser consultado nos órgãos responsáveis, porém mesmo assim sem posicionamento da instituição quanto a regularização ou possível acordo. Os representantes municipais informaram também que receberam o Professor Orita, cuja postura foi amplamente elogiado, destacando seu esforço em intermediar a situação no início do ano. Outro ponto abordado foi a circulação de rumores sobre um possível leilão do imóvel. A Prefeitura afirmou que tais informações não procedem, esclarecendo que o prédio é patrimônio público e somente poderia ser alienado mediante autorização legislativa da Câmara Municipal. Por fim, foi informado que, até o momento, a instituição não formalizou qualquer comunicação oficial sobre eventual encerramento das atividades. O próprio Secretário Ian Sampaio relatou ter enviado mensagens ao Sr. Rios, sem que houvesse retorno formal por parte da instituição. Após ouvir todos os questionamentos apresentados pelos alunos, o Prefeito apresentou as seguintes propostas e encaminhamentos: 1. Negociação com a Uninove A Prefeitura declarou estar aberta à negociação com a Uninove, inclusive para tratar do débito existente. Foi mencionada a possibilidade de locação parcial do imóvel, desde que haja garantia de permanência da instituição no município por um período previamente acordado. A pedido da comissão, foi agendada uma reunião entre Prefeitura, instituição e esta comissão para o dia 24/06, às 9h. 2. Alternativas para os estudantes Estiveram presentes representantes da Anhanguera, CEUNSP, IFSP e Fatec, que manifestaram interesse em colaborar com o processo de transferência dos alunos. As instituições informaram estar dispostas a oferecer bolsas de estudo e apoio na transição acadêmica. 3. Apoio ao transporte A Prefeitura colocou-se à disposição para oferecer transporte gratuito aos moradores de São Roque, seja por meio de fretamento ou auxíliotransporte, para instituições localizadas em municípios vizinhos (Sorocaba, Itu, Salto) e também para estudantes que optarem por estudar na região da Barra Funda. A definição entre transporte fretado ou auxílio financeiro dependerá do número de alunos destinados a cada instituição. Em relação aos estudantes residentes em outros municípios, o Prefeito comprometeu-se a dialogar com os respectivos gestores municipais para viabilizar formas de apoio, ressaltando que será necessário estudo técnico para verificar a possibilidade legal e financeira de extensão desse benefício a alunos não residentes em São Roque. 4. Continuidade do ensino superior no município O Prefeito afirmou que, caso a Uninove decida encerrar suas atividades no município, São Roque não ficará sem oferta de ensino superior. Nesse cenário, a Prefeitura pretende abrir chamamento público para que outras instituições de ensino possam concorrer à utilização do espaço e dar continuidade aos serviços educacionais oferecidos à população. 5 . Propostas Encaminho em anexo as propostas das instituições presentes. Sem mais e a disposição.